Foto: Enderson Oliveira

“Um bom planejamento em geral se faz em três etapas. Primeiro a gente se apropria da realidade, depois se monta um problema e, finalmente, se pensa como solucioná-lo” . A afirmação de Júlio Ribeiro no livro Tudo que você queria saber sobre propaganda e ninguém teve paciência de explicar(1989, p.22), utilizada para planejamento de campanhas publicitárias e ações de marketing, deve ser revista caso se leve em consideração locais que possuem grande circulação de pessoas e práticas de consumo, ainda que a divulgação midiática seja considerada pequena.

Partindo disto, no artigo A Palafita “chique”: consumo, posicionamento e experiência em um bar, restaurante e casa de shows na Amazônia (2016) analisamos o Bar e Restaurante Palafita, “porto” localizado na Rua Siqueira Mendes (a primeira da cidade), às margens da Baía do Guajará, no bairro da Cidade Velha, em Belém do Pará. Apesar da ínfima divulgação, o Palafita é um dos lugares mais visitados e “badalados” da capital paraense, em especial aos finais de semana.

O empreendimento possui uma estrutura “rústica”, porém mais segura e adaptada para o conforto dos clientes, em sua maioria das classes média e alta. Como se nota, temos como objeto de análise, então, uma “palafita chique”, localizada no centro histórico de Belém.

Apesar disto, em nossa pesquisa e análise do próprio Palafita e de seus concorrentes, detectamos seus pontos fracos e suas vantagens, bem como compreendemos seu posicionamento, as experiências que possibilita e as alternativas de consumo relacionadas à “marca Amazônia”, compreendida como

a representação simbólica da região, institucionalizada por parâmetros socioeconômicos e culturais publicizados em escala mundial pelo campo da comunicação. É uma Amazônia idealizada, amplamente utilizada pelo campo comunicativo, sob forma de mensagens jornalísticas, publicitárias e ficcionais, plena de valores e carregada de efeitos de sentido. Uma imagem dominante, facilmente assimilada no espaço intersubjetivo da sociedade nacional brasileira e ocidental. Uma imagem padrão, amorfa, idealizada, distante da realidade vivenciada pelas populações amazônicas e que descreve a região como um sistema ambiental idílico, coeso e coerente, reproduzindo a percepção dominante sobre o que seja a Amazônia (Marca Amazônia: estratégias de comunicação publicitária, ambientalismo e sustentabilidade, de Fábio Castro; Alda Costa e Otacílio Amaral Filho, 2015, p. 107).

Apesar da projeção que o Palafita possui em Belém, devemos notar que ele está inserido em um circuito mais amplo e criado em geral de modo “espontâneo”, sendo produzido e inserido em tal lógica pelas pessoas que o consomem. Neste diálogo, começamos a nos aproximar de discussões antropológicas, ao observar os “circuitos” (Quando o campo é a cidade: fazendo antropologia na metrópole, de José Guilherme C. Magnani, 2000), categoria mais ampla e diversificada que cenas e que envolve a participação e compreensão da importância dos sujeitos que os desenvolvem, estabelecem práticas, relações, atribuem valores e sentidos.

Veja o texto completo acessando aqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s