Imagem: Reprodução

Em março, entrevistamos via e-mail o professor Fábio Castro, graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília emestre em Estudo das Sociedades Latino-Americanas (opção Antropologia) pela Universidade de Paris III (Sorbonne-Nouvelle).

Doutor em Sociologia pela Universidade de Paris V (Sorbonne-Descartes), Fábio também é pós-doutor em Comunicação, com ênfase em etnométodos e estudos sobre interação social pela Universidade de Montréal. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Pará, onde atua na Faculdade de Comunicação e no Programa de Pós-graduação Comunicação, Cultura e Amazônia.

Na conversa, o pesquisador respondeu a alguns questionamentos sobre a possível “Marca Amazônia” e sua relação coma  sociedade na contemporaneidade. Veja a entrevista exclusiva na íntegra:

01. O sr. acredita que haja atualmente uma espécie de “marca” Amazônia? Se sim, o que seria, como se constituiria?

Qualquer coisa é passível de ser transformada em marca. Evidentemente uma palavra com o peso simbólico “Amazônia” faz parte desse processo.

02. Como é possível analisar e compreender a Amazônia contemporânea?

Com pesquisa científica e debate público.

03. Como você acha que a publicidade encara as imagens e imaginários (e mesmo a “marca”) Amazônia? E como os acadêmicos encaram?

A publicidade produz sentidos empáticos. A ciência produz conhecimento crítico. A ideia de “marca Amazônia”, na publicidade, é instrumental: um instrumento de convencimento, persuasão, manipulação, afetividade. Para a ciência, a ideia de “marca Amazônia” não tem finalidade em si mesma, sendo apenas um conceito exploratório, uma compreensão da apropriação simplificadora que se faz da complexidade amazônica enquanto instrumental.

04. Como observar a produção cultural e sua relação com estas imagens e imaginários de uma representação natural, mítica?

Falar em cultura é complexo. Se você se refere à produção cultural de artistas, penso que sua ação também este centrada na produção de discursos e sentidos empáticos que, tal como na publicidade, não estão pautados, necessariamente, pela compreensão da sociedade ou da realidade. Nesse sentido, para esses sujeitos sociais, imagens, imaginários e representações são apenas sentidos atribuídos e contingenciais a um dado compromisso ou contexto. Ademais, nenhum representação é natural, isso não existe.

05. Para o sr., qual a importância da “marca”/ lugar de fala Amazônia para quem mora aqui e para quem se apropria dela?

Não há uma importância intrínseca nisso. Há apenas o fato social, que possui dimensões econômicas e políticas que, para serem referidas, demandam que se parta de um determinado ponto de vista.

06. Você concorda que quem diz hoje o que é marca Amazônia é o público, principalmente por meio das redes sociais?

Não.

07. De que forma isso pode interferir na publicidade?

Isso depende de múltiplos fatores. Acho mais possível que a publicidade interfira na Amazônia do que o contrário.

08. A fisionomia mais contemporânea de Belém pode interferir em uma nova compreensão a respeito da “marca” Amazônia ou modos de percebê-la?

Creio que não.

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