Foto: Divulgação

Às vésperas do maior Congresso de Comunicação, o Intercom Nacional 2017, que ocorrerá em Curitiba-PR de 4 a 9 de setembro, o graduando em Comunicação Social/Jornalismo Fernando Augusto dos Santos, da Universidade Federal do Acre (UFAC), vencedor e finalista do Expocom regional com o prêmio “Produção Transdisciplinar – Edição de Livro”, nos concedeu uma entrevista para falar um pouco sobre a importância do livro “Jornalismo e Meio Ambiente em Pauta”, produzido por 4 alunos bolsistas a partir de dois projetos de pesquisa vinculados a uma disciplina, além de sua visão sobre a Amazônia e a expectativa em representar a Região Norte no congresso Nacional.

Veja a entrevista exclusiva na íntegra: 

1. Qual a importância do livro? 

Tem uma grande importância, pois ele vem com a proposta de debater meio ambiente além da academia, através de uma abordagem embasada em autores que escrevem sobre jornalismo ambiental. O livro resulta de um projeto de pesquisa, Jornalismo e Meio Ambiente: Diálogos possíveis, então representa uma conquista muito grande pra nós 4 bolsistas, eu Fernando, Karolini, Priscila e Karol que orientados pela professora Francielle Modesto, produzimos. O livro começa ser pensado em 2014, e hoje uma obra que leva nosso nome, o nome do grupo ainda na graduação através de um projeto de iniciação científica nos deixa muito feliz e com vontade de aprofundar estudos que dialoguem meio ambiente e jornalismo na Amazônia. Para a imprensa, uma forma de estimular, repensar e reinventar  novas pautas no jornalismo ambiental. A partir dessas observações, o livro proporciona aos leitores uma reflexão para aprofundar sua visão sobre meio ambiente e refletir que a notícia ambiental vai além de divulgar informações apenas sobre o factual, sobre catástrofes, enchentes, e outras notícias desse tipo que vemos diariamente na TV.

Fernando destaca que a proposta do livro é “debater meio ambiente além da academia”.

2. Qual a importância do prêmio?

A sensação é de reconhecimento, mostra que as nossas pesquisas tem dado certo, estamos levando para outros estados além da região amazônica. Mostra que nosso trabalho saiu da academia e tá chegando a outras pessoas, outros alunos que estudam jornalismo e meio ambiente, um assunto tão importante para ser debatido na academia, aprofundado, expandido para que os profissionais da imprensa vejam a questão ambiental por uma perspectiva plural, diversa, que dialogue com a realidade do sujeito. Em Manaus, fiquei muito feliz com o reconhecimento, incentivo que os professores deram à nossa obra.

Premiação do Expocom regional com o prêmio “Produção Transdisciplinar – Edição de Livro”.

3. Qual sua expectativa para Curitiba?

Nós do grupo confiantes em trazer o nacional, ao mesmo tempo que dá um frio na barriga estar competindo com outras produções do Brasil inteiro. Ter trago o regional nos deixou muito feliz. Digo que o prêmio representa um crescimento para nós do grupo, mas quem ganhas mesmo é a pesquisa, quem tem acesso à obra

4. Qual a sua visão sobre a Amazônia?

Vejo a Amazônia como uma região rica em tudo: culturas, biodiversidades.  Falar em Amazônia vai muito além dos rios, florestas. Envolve a diversidade dos povos tradicionais que ainda mantém suas culturas vivas ao mesmo tempo que muito desenvolvida economicamente. Acredito que a Amazônia seja padrão para o mundo sobre sustentabilidade, porém esse conceito tem que ser revisto na prática. Prega-se muito a sustentabilidade na região, mas a gente se questiona se realmente esse desenvolvimento tá sendo aplicado como é pra ser levando em consideração os povos que vivem na região e suas culturas. A Amazônia carece de um olhar plural: tem pessoas, desenvolvimento, crescimento, avanço em pesquisas, tecnologia, etc. Há infinitas possibilidade da imprensa retratar a região sem esse olhar exótico, do desconhecido. Se colocar no lugar do outro e mostrar a região com outros olhares para quebrar estereótipos da região.

5. Como você observa o Acre dentro da Amazônia?

Vejo o Acre como um grande potencial de crescimento. Ainda em ascensão, mas que tem avançado muito em tecnologia, produção e conservação da floresta. Ainda há muita coisa que necessita ser ajustada: maior participação das comunidades rurais, dos indígenas, seringueiros nos processos políticos do estado. Por estar situado numa região que faz fronteira com Peru e Bolívia, essa integração entre economia e floresta deve ser trabalhada para funcionar na prática.

6. Fale um pouco sobre o livro

O livro “Jornalismo e Meio Ambiente em Pauta” foi produzido a partir de dois projetos de pesquisa vinculados à disciplina Sociedade e Meio Ambiente ministrada no curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal do Acre (UFAC). A publicação está dividida em quatro capítulos e um glossário com palavras relacionadas ao meio ambiente. O livro propõe discutir questões importantes para o desenvolvimento do trabalho jornalístico como a elaboração da pauta, o enquadramento da notícia, o papel dos jornalistas frente às questões ambientais, a profundidade das informações divulgadas e instigar a consciência crítica do leitor sobre o debate e discussão ambiental. Quatro bolsistas fizeram parte do projeto de pesquisa, cada um escreve um capítulo. O livro busca estabelecer um diálogo através do jornalismo ambiental afirmando que o debate ambiental precisa estar presente diariamente na mídia.O glossário foi pensado para esclarecer palavras que aparecem com frequência em matérias, reportagens, artigos sobre meio ambiente, inclusive alguns dialetos acreanos Termos comumente usados na região e pela imprensa local como “florestania”, união dos termos “floresta” e “cidadania, conceituado pelo historiador acreano Toinho Alves como a cidadania dos povos da floresta, que se popularizou com a chegada de Jorge Viana ao Governo do Acre em 1998, que costuma ser confundido com o sentimento de acreanidade, “varadouro”, nome dado a um caminho aberto na mata pelos seringueiros, que são feitos no meio da mata para ligar as colocações dos seringueiros entre si e aos barracões para escoar a borracha e receber mantimentos, utensílios e outros produtos, “empate”, que significa manifestações organizada por seringueiros ocorrida na década de 90 no Acre para impedir a ocupada de suas terras, entre outros termos compõe a obra final.

Imagem: Grupo de pesquisa.

7. Que outros estados da Amazônia você conhece  (ou de repente até países, já que continuam sendo amazônia e são bem mais perto para você)?

Conheço Porto Velho e Manaus. Mas é um sonho conhecer os da região Norte e que integram a Amazônia: Pará, Tocantins, Maranhão, conhecer os municípios mais distantes e vivenciar um pouco de cada povo, com suas culturas, tradições, sabedoria popular.

 

 

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